HISTÓRIA EM QUADRINHOS: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PRÁTICA DA LEITURA E ESCRITA NA SALA DE AULA
Ter, 15 de Setembro de 2009 13:49

Rute Coluna Taques[1]

 

 Os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia. (MARCUSCHI apud Dionísio et. Al.).

Este texto configura-se como uma mostra de atividades desenvolvidas na Escola Estadual “Criança Cidadã”, localizada no município de Cáceres – MT, como sugestão e requisito parcial do Projeto: Habilidades e Competências de leitura e escrita: Uma necessidade formativa em todas as áreas, oferecido pelo Cefapro de Cáceres / MT, sob a responsabilidade das professoras formadoras Eliane Maria Viana da Costa Ferreira e Márcia Elizabeti Machado de Lima.

O desenvolvimento deste trabalho envolveu primeiramente a leitura de dois artigos da obra Gêneros Textuais e Ensino, organizada pelas autoras Ângela Paiva Dionísio, Anna Rachel Machado e Maria Auxiliadora Bezerra, seminários, orientações das professoras formadoras e sugestões de colegas participantes do referido curso, realizado no âmbito do Cefapro. Após este momento, fizemos a transposição didática, com o objetivo de aliar as teorias estudadas à nossa prática pedagógica.

O público-alvo foram alunos da III fase do 2º ciclo (turma E).  As atividades consistiram nas seguintes etapas: primeiramente, selecionamos o gênero textual HQ (História em quadrinhos). Depois solicitamos uma pesquisa sobre o que é história em quadrinhos. Em seguida, contextualizamos os conceitos pesquisados pelos alunos e também apresentamos o conceito de gênero textual na visão de Luiz Antônio Marcuschi, diz:

 

  [...] Os gêneros textuais não são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos. (2007, p. 19, grifo nosso). 

  

Conforme fica evidenciado na citação, os gêneros textuais transcendem as chamadas tipologias textuais, por não serem estagnados, mas sim, em constante ebulição. São essencialmente flexíveis, dinâmicos, plásticos e podem comportar mais de uma tipologia textual.

Corroborando com a mesma linha de raciocínio a respeito dos gêneros textuais, encontramos no livro Programa Gestão da Aprendizagem Escolar – Gestar II. Língua Portuguesa: Caderno Teoria e Prática 3 – TP3: Gêneros e tipos textuais, a seguinte afirmação:

 

 Toda nossa comunicação se dá por textos. E todo o texto, por sua vez, se realiza em um gênero. [...] Por isso, gêneros não se definem por aspectos formais ou estruturais da língua: estão ligados à natureza interativa do texto, ou seja, à sua funcionalidade, ao seu uso. (2008, p. 32)

  

  Dessa maneira, podemos dizer que os gêneros textuais concretizam-se no campo lingüístico, definidos por características sociocomunicativas. Assim, a circunstância de produção de um texto determina em qual gênero ele é realizado. E também é através do desenvolvimento da competência sociocomunicativa que aprendemos a organizar e a identificar os diversos gêneros textuais.

De acordo com Cirne (2000: 23 – 24), Quadrinhos são:

    

Uma narrativa gráfico-visual, impulsionada por sucessivos cortes, cortes estes que agenciam imagens rabiscadas, desenhadas e/ou pintadas. (Mendonça apud Dionísio et. al, 2007, p.195).

 

 Podemos dizer que o Quadrinho é um gênero misto, no qual predomina a tipologia textual narrativa, além disso, apresentam seqüências características de outros tipos textuais como a argumentação, a injunção e a exposição. Neste sentido, é que os gêneros textuais não são classificados apenas a partir da tipologia textual que apresentam, porém, a categorização baseia-se nos objetivos comunicativos predominantes e também nas circunstâncias de produção.

Pautados nos pressupostos teóricos ligados ao gênero HQ, socilitamos aos alunos a seguinte atividade: elaboração de uma História em quadrinhos a partir da adaptação dos textos fabulísticos: A cigarra e a formiga, A formiga boa, a formiga má e o sapo e o boi, estudados anteriormente em outra oportunidade.

A produção foi em grupo de três alunos (as). Os grupos foram instruídos durante todo o processo de elaboração das HQS. No decorrer da realização das atividades, os alunos não apresentaram dificuldades acentuadas, por se tratar de um gênero bastante conhecido e divulgado. E também pelo fato de ser trabalhado em grupo, possibilitou a discussão a respeito dos elementos necessários para a elaboração das HQS: desenhos, os quadros, os balões ou legendas, onde é inserido o texto verbal. (2007, p 199 e 200).

Segundo Mendonça, os quadrinhos apresentam:

[...] relações entre as semioses envolvidas – verbal e não-verbal – os quadrinhos revelam-se um material riquíssimo, pois, na co-construção de sentido que caracteriza o processo de leitura, texto e desenhos desempenham papel central. Desvendar como funciona tal parceria é uma das atividades lingüístico-cognitivas realizadas continuamente pelos leitores de HQS. (Mendonça apud Dionísio et. al, 2007, p.196 e 197).

 

 Como podemos evidenciar nesse fragmento, os quadrinhos são formados pelo verbal e não-verbal, e a construção de sentidos deste gênero acontece quando no momento da leitura, o leitor relaciona texto e desenho. E é a partir do seu conhecimento lingüístico e de seu conhecimento de mundo, que ele interpretará a história.

Enfim, para terminar nossas considerações, podemos destacar que a transposição didática aconteceu de forma processual, foram necessárias seis h/a para a realização das atividades. Foi bastante enriquecedor trabalhar com as histórias em quadrinhos, porque apesar de ser um texto composto por pequenas unidades significativas, que facilitam a leitura, ainda apresenta um entrelaçamento do verbal e do não-verbal, mostrando assim a riqueza de conteúdo e forma, além do prazer estético, próprio de textos não-verbais. Também possibilitou-nos reflexões acerca da nossa prática pedagógica e a relação que estabelecemos entre teoria e prática.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS                 

LIMA, Márcia Elizabeti Machado de. ; FERREIRA, Eliane Maria Viana da Costa. Formação Continuada: Espaços de Interação e Reflexão via Projeto de Leitura e Escrita. Cáceres: Cefapro, 2009.

MARCUSCHI, L. A. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; Bezerra, Maria Auxiliadora. Gêneros Textuais e Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.

MENDONÇA, M. R. de S. Um Gênero Quadro a Quadro: a História em Quadrinhos. In: DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; Bezerra, Maria Auxiliadora. Gêneros Textuais e Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.

PROGRAMA Gestão da Aprendizagem Escolar – Gestar II. Língua Portuguesa: Caderno Teoria e Prática 3 – TP3: Gêneros Textuais. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.

 ___________________

[1] Professora da E.E.”Criança Cidadã” – Cáceres - MT

 

 

Agenda da Educação

Agosto 2014
D 2a 3a 4a 5a 6a S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6

Enquete

Que tipo de Formação Continuada você gostaria de receber do CEFAPRO?
 
Free template 'Feel Free' by [ Anch ] Gorsk.net Studio. Please, don't remove this hidden copyleft!