RESUMO ANALÍTICO: A ARTE DE ESCREVER COM ARTE
Qua, 20 de Outubro de 2010 14:20

Maria Zuleida Ribeiro Pereira da Silva [1]

CLAVER, Ronald. A arte de escrever com arte. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

O livro A Arte de Escrever com Arte nos revela os exercícios da escrita e produção textual. O público infanto-juvenil é o foco dessa obra que foi elaborada para ser usada em salas de aula por professores de português ou literatura. Suas atividades devem ser trabalhadas em grupo na prática da criatividade e participação de todos os estudantes envolvidos, para alcançar os objetivos das atividades propostas. A arte de escrever não se resume em ensinamentos e vãs filosofias, porém se amplia na exploração de infinidade de brincadeiras, músicas, ritmos, poemas e jogos que ampliam o aprendizado e rendimento intelectual tanto do educando como o educador. Os exercícios do livro estão elaborados em cima de textos, resenhas, poesias e artigos que conduzem o leitor a criar e recriar formas de ensinar com as palavras, sem ter medo de errar. Só o fato da nossa auto limitação já nos impede de sermos criativos e perspicazes em nossas atividades. Escrever requer um ato de liberdade, preparo físico, estar aberto a sonhar, amar e inovar. A escrita não deve ser limitada apenas a grafia, mas tornar-se um ato de brincar, de sonhar, desvendar e desmistificar o sentido da criação do saber. Para se enxergar as infinitas possibilidades que as letras, as palavras, as frases e os textos podem nos revelar, faz-se necessário perceber como a definição de “Palavra” vai muito além do que possamos imaginar. Clever ao criar o livro teve como proposta inventar, brincar com as palavras. Isso deixa a obra com uma visão confusa e maluca a uma primeira análise. Um dos traços importantes do livro são as formas como o autor passa sua experiência de escrita e ferramentas aos seus leitores-alunos. Com o autor podemos desvendar a arte de ler e escrever? Claver revela que a arte da palavra reside no jogo do contrário, embora resistissem à vanguarda das coisas, escrever com arte é buscar, ousar, selecionar, sonhar, projetar e libertar. A palavra traz à tona os sentidos demonstrando que ao fazer a escrita com claridade, criatividade, clareza e rebeldia enaltece a capacidade de refazer a escrita. Ao definir que escrever não é apenas ensinar, é ritmo, ação, fruição; o autor lembra que o homem antes de escrever desenhou. A letra e a palavra antes de ganhar significado são desenhos mágicos. Ronald faz referência de textos de vários autores e usa como parte da escrita de seu livro, assim ressalta a construção e desconstrução de palavras, frases e textos que podem ser acrescentadas ou tiradas, até mesmo escrever produzindo um novo texto a partir da sugestão de seu texto inicial. Construir um novo texto como se fosse uma brincadeira com as palavras e letras, direciona a escrita por meio de passos que podem ser utilizado: em primeiro lugar; brincar com a letra, segundo; fazer a letra, terceiro; listar as palavras que rimam,quarto; arrolar as palavras que têm a ver com o universo de palavras do animal, quinto; o nome do animal na ficção, sexto; expressões; utilizada pelo animal, origem da palavra, sétimo; antes de partirmos para a confecção do nosso texto, leia outros textos semelhantes, pegue seu texto original e finaliza-o. Passe a limpo, corte palavras, acrescente palavras, dê ao texto a dimensão de seu escrever, não somente estas dicas, mas explore novos tipos de textos e formas de escrita e estética para dar ao leitor a oportunidade de ler, criar, recriar e reescrever. O ato de ler, e sua significação reler e compreender, interpretar, comparando o leitor como o olhar dele focado, de onde está lendo, fazendo desse fato uma releitura do lugar social em que o sujeito está inserido, fazendo do seu viver diário uma compreensão e uma interpretação. Destacar a evidência individual faz de cada leitor um co-autor, cada um lê e relê com os olhos que têm, pois compreende e interpreta segundo sua habitação no mundo. Para Ronald até um boteco pode ser fonte de inspiração para a arte, do ponto de vista dele, que em qualquer lugar pode acontecer àquela luz que falta para começarmos a escrever algo de valor mesmo um simples boteco. Compreender que a escrita se revela no fato de discussão da cultura é entender e refletir as cadeias que impedem a liberdade de criação e expressão da escrita como um todo. A criatividade que nos é impedida se desvenda nas mais variadas formas de culturas ligadas à educação. Enxergar poesia e cultura onde não parece haver ensino é o que diferencia um grande profissional da educação de um simples professor. Impor barreiras a educação é privar as futuras gerações de uma cultura próspera ao desenvolvimento humano e intelectual.

 

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[1] Docente habilitada em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT, com especialização em Educação Infantil e Alfabetização pela Faculdade da Amazônia – FAMA.

 

 

 

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