A importância da leitura no desenvolvimento do aprendizado
Seg, 13 de Dezembro de 2010 16:41

Ana Maria dos Santos Barbosa,

Alciene dos Santos Barbosa Morais

Laura da Silva Augusto Orlando

RESUMO: Em nossa sociedade, por valorizar mais a escrita que outras formas de expressão, os estudos acabam centrando a preocupação sobre o processo formal de alfabetização, entendido como o acesso ao código de leitura e da escrita, tanto que há, para isso, um local especifico como a escola e um tempo determinado para o ingresso de crianças no ensino fundamental. Embora existam vários estudos no campo da educação que mostram que cada indivíduo possui um ritmo próprio de aprendizagem, é desumano delimitar quando uma criança pode ou não ser alfabetizada. Assim, aprender a ler não é só uma das maiores experiências da vida escolar. É uma vivência única para todo ser humano. Ao dominar a leitura abrimos a possibilidade para adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínio, participar ativamente da vida social, alargar a visão de mundo, do outro e de si mesmo.

Palavra-chave: Alfabetização. Leitura. Escrita.

 

I. Introdução

O presente estudo analisa o processo de aquisição da leitura e da escrita, enfatizando as principais dificuldades que os professores e alunos enfrentam no decorrer do processo de ensino e aprendizagem. Assim, o principal objetivo foi verificar as causas das dificuldades na leitura e na escrita, durante o processo de alfabetização, sobretudo nas séries iniciais. Para isso, foram realizadas leituras sobre surgimento da escrita, história da leitura, dificuldades na leitura e na escrita, falta de qualificação profissional, falta de interesse dos alunos e participação da família, qualificação profissional, o papel do governo atuando no estímulo aos profissionais da educação, o papel da família na aprendizagem e as contribuições da psicopedagogia nas deficiências da leitura e da escrita. Além do levantamento de dados na escola campo, realizamos também pesquisas bibliográficas em literaturas especializadas e em sites da internet.

 

2. Desenvolvimento

Atualmente, as crianças estão começando sua vida escolar mais cedo, aos 06 anos de idade ingressam no Ensino fundamental e algumas delas já conhecem algumas letras, pois para os pais, é muito importante a leitura, eles se sentem satisfeitos ao verem que seus filhos estão lendo e formando pequenas palavras.

De certa maneira, a leitura oferece à criança, além da oportunidade de contato com o lúdico, o despertar da atenção, do raciocínio, da criatividade e permite à criança um contato autentico com a escrita. A realidade de nossas escolas públicas é que poucas crianças, hoje, trazem para a escola a experiência de contatos com textos escritos ou mesmo com histórias contadas. A escola, então, tem a seu cargo possibilitar viagens pelos países imaginários, apresentando à criança o mundo da literatura.

Em nossa sociedade, por valorizar mais a escrita que outras formas de expressão, esta acaba centrando a preocupação no processo formal de alfabetização, entendido como o acesso ao código de leitura e da escrita, tanto que há, para isso, um local especifico - a escola, e um tempo determinado, o ingresso no ensino fundamental.

Aprender a ler não é só uma das maiores experiências da vida escolar. É uma vivência única para todo ser humano. Ao dominar a leitura abrimos a possibilidade de adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínio, participar ativamente da vida social, alargar a visão de mundo, do outro e de si mesmo.

Embora vários estudos no campo da educação mostrem que cada individuo possui seu ritmo próprio de aprendizagem, sendo desumano delimitar quando uma criança pode ou não se alfabetizar. Sabemos que o aprendizado da leitura não é uma tarefa fácil, também não é uma tarefa espontânea, embora várias pessoas aprendam essas habilidades em ambientes e situações informais. Mas, mesmo nessas condições de informalidade, há alguma influência do meio social e alguma intervenção que possibilita a aquisição dos códigos do nosso sistema de escrita.

Aos alunos do ensino fundamental em geral tem grande resistência a leitura, pois, muitas vezes as indicações feitas pelos professores não estão de acordo com as necessidades e curiosidades. Muitos professores, atentos a essa dificuldade, estabelecem negociações, cada parte cedendo um pouco em relação as suas preferências de leitura, mas atingindo o objetivo principal, que é saber ler. O aluno deve ler para ampliar seu conhecimento não apenas para o professor dar uma nota.

Não menos importante é o professor saber valorizar o erro de seus alunos. Isso não significa aceitá-los passivamente parae chegar a conclusão de que a criança ainda não está pronta para aquela aprendizagem, pois seria incorrer numa postura espontaneista.

O professor deve investigar como a criança está pensando naquele momento para chegar aquela forma de escrita/leitura e propor intervenções adequadas para subverter a importância dada ao erro, no sentido de identificar como algo não aprendido. Deve-se sim, procurar identificar o que o aluno conseguiu aprender para chegar àquela resposta. Qual lógica a criança esta seguindo para responder dessa maneira a questão exposta.

Os professores, independente da área de atuação, devem se dedicar a proporcionar oportunidades para que todos os alunos descubram que ler é uma atividade muito interessante, que a leitura nos proporciona prazer, diversão, conhecimento, liberdade, uma vida melhor, enfim. Nessas oportunidades terão várias oportunidades para que o aluno passe a gostar de ler. Pensando sempre no que diz Paulo Freire (1998, p. 23):

A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo. E aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras mas numa relação dinâmica que vinculada linguagem e realidade. Ademais, a aprendizagem da leitura e a alfabetização são atos de educação e educação é um ato fundamental político.

Como educadores, devemos dispor de vários tipos de leitura, sempre respeitando a escola de obras que despertem o interesse e a satisfação em ler, pois aprender a ler não é só uma das maiores experiências da vida escolar. É uma vivência única para todo ser humano. Ao dominar a leitura abrimos a possibilidade de adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínio, participar ativamente da vida social, alargar a visão de mundo, do outro e de si mesmo.

O ato de ler não se dá linearmente, como um processo contínuo, tranquilo e sem interrupções. Ao contrário. É uma operação mental complexa marcada por tensões, porque envolve ativamente a pessoa. “Ler não é fácil, exige esforço mental e físico. E como tudo que dá trabalho, muitas vezes, tendemos a abandonar”. Por isso, em uma sala de aula, o esforço dos professores deve ser incansável.

Cabe aos mestres desenvolverem uma intimidade com os textos utilizados junto a seus alunos e possuir justificativas claras para a sua adoção. É preciso conhecer a sua origem histórica e situá-los dentro de uma tipologia. Essa intimidade e esse conhecimento exigem que os professores se situem na condição de leitores, pois sem o testemunho vivo de convivência com os textos ao nível da docência não existe como alimentar a leitura junto aos alunos. As práticas de leitura escolar, não nascem do acaso nem do autoritarismo em relação à tarefa, mas sim, de uma outra programação. Essa por sua vez deve ser envolvente e devidamente planejada, que incorpore, no seu projeto de execução, as necessidades, as inquietações e os desejos de alunos-leitores. Simplesmente mandar o aluno ler é bem diferente do que envolvê-lo significativa e democraticamente nas situações de leitura, a partir de temas culminantes.

Por uma visão mais ampla, quem lê está em contato com quem escreveu o texto, com as idéias de uma ou de várias pessoas. E recorre às próprias idéias para conferir o que já conhece sobre o assunto abordado, para criticar ou até mesmo para concordar com o autor do texto.

Um dos aspectos da leitura que todos têm em comum é que perguntas são feitas sobre o texto. A compreensão ocorre quando são encontradas as respostas para essas perguntas. A habilidade de fazer perguntas relevantes e de saber onde encontrar as respostas no texto depende do conhecimento, do tipo de material envolvido, e da finalidade específica da leitura. Nada disto pode ser ensinado explicitamente, mas é desenvolvido com a prática da leitura. Assim, a leitura só desperta interesse quando interage com o leitor, quando faz sentido, traz conceitos que se articulam com as informações que já se tem. Como é afirmado nos Parâmetros Curriculares Nacionais:

É necessário que o professor proponha situações didáticas com objetivos e determinações claros, para que os alunos possam tomar decisões pensadas sobre o encaminhamento de seu trabalho, alem de selecionar e tratar ajustadamente os conteúdos. A complexidade da atividade também interfere no envolvimento do aluno. Um nível de complexidade muito elevado, ou muito baixo, não contribui para reflexão e o debate, situações que indica a participação ativa e compromissada do aluno no processo de aprendizagem (BRASIL, 1998, p.28).

Estamos em uma época que, em nome do prazer da leitura, iniciativas como a abolição das fichas de leitura, eliminação de provas sobre livros lidos, a indicação livre para toda a turma, são bastante comuns. Mesmo sabendo que por trás do prazer da leitura existem interesses de cunho mercadológico, além de reconhecermos a necessidade de mudança no tratamento com a literatura na escola, o apelo à modernidade representa a compreensão de que não se pode mais impor a leitura de textos do agrado do professor ou diretor de escola.

Sabemos que a escola é o local onde a maioria das crianças passa a ter um acesso mais frequente aos livros, visto que a aquisição dos mesmos não é acessível a todas as camadas da população e, em nosso país, não faz parte da nossa cultura ter acesso frequente às bibliotecas públicas.

A leitura oferece à criança, além da oportunidade de contato com o lúdico, o despertar da atenção, do raciocínio, da criatividade e permite à criança um contato autentico com a escrita. A realidade de nossas escolas públicas é que poucas crianças, hoje, trazem para a escola a experiência de contatos com textos escritos ou mesmo com histórias contadas. A escola, então, tem a seu cargo possibilitar viagens pelos países imaginários, apresentando à criança o mundo da literatura.

A leitura está ligada ao homem da mesma forma que a pele ao corpo, pois a própria história de vida humana está pontuada por documentos escritos, registrados desde as nossas origens até os atuais acontecimentos. Saber ler implica não somente em decifrar as palavras, os símbolos escritos, mas também compreender o significado que as palavras adquirem quando estão juntas umas das outras, ou seja, interpretar o que quis dizer o autor, questioná-lo, participar, interar-seda idéia alheia. Conforme Leffa 1996, p. 148, firma:

[...] a compreensão de um texto não depende das características intrínsecas do mesmo, mas do conhecimento prévio compartilhado entre o autor e o leitor. Temos dentro de nos uma representação do mundo e compreender um texto é relacionar elementos dessa representação com elementos do texto. O texto será mais ou menos compreensível, não porque apresenta um vocabulário mais ou menos d, mas porque apresenta uma realidade que esta mais ou menos próxima dessa mesma realidade. Não se entende um texto cujo assunto de desconhece, ainda que escrito com palavras simples e de alta freqüência no cotidiano.

Na atual onda globalizante, temos a educação como o maior recurso para encararmos a nova estruturação do mundo. Sua finalidade é formar cidadãos capazes de analisar e compreender podendo intervir na realidade do mundo.

Atualmente se faz necessário homens reflexivos, criadores e, acima de tudo, críticos, diante de todo contexto apresentado pela sociedade. Julga-se, então, que a escola, através da prática da leitura, possa contribuir de maneira efetiva para a formação de cidadãos como agentes da sua própria história. É necessário que a escola, os professores, o governo e a comunidade escolar como um todo, trabalhem juntos no sentido de melhorar o nível do ensino brasileiro, de forma que o aluno esteja informado à respeito de sua sociedade, e seja capaz de entendê-la para nela poder atuar transformando-a. E a leitura se constitui num grande passo, rumo a esta mudança.

Daí a necessidade de que a escola proporcione o máximo de leitura ao aluno com textos mais variados possíveis, uma vez que é através dos diversos tipos de textos que os alunos irão conhecer um pouco mais sobre o mundo global. A escola deve estar consciente de que seu trabalho resultará na formação de pessoas aptas para empregar a leitura muito além das palavras, como leitura de mundo. Pesquisando sobre a globalização, podemos entendê-la como a interligação e a comunicação entre todos os povos, é um fenômeno que tem acompanhado toda a trajetória da humanidade.

A revolução da tecnologia, comunicação e informação, fazem da globalização o atual fenômeno histórico, e seus efeitos se mostram em todos os campos da vida humana, seja nos campos político e econômico seja nos campos social, cultural e ambiental. A era da informação é também a era da comunicação por isso, a educação é tida como o maior recurso de que se dispõe para enfrentar essa nova estruturação do mundo, mas nosso sistema educacional ainda é falho e podemos ver que nossas crianças não são estimuladas a entrarem no mundo da leitura. A falta de leitura impede o desenvolvimento lógico e social do indivíduo trazendo conseqüências futuras e à falta de senso crítico de uma mentalidade preparada para as múltiplas leituras.

É extremamente importante que o cidadão desde a sua infância seja alfabetizado e adquira a prática da leitura para que tenha uma mentalidade globalizada, capaz de acompanhar as mudanças do mundo, fazendo uso de seu senso critico. Para a realização dessa pesquisa, os dados serão levantados a partir de livros, revistas, artigos e estatísticas.

No mundo de hoje é necessário que o cidadão se conscientize do importante papel da leitura em sua vivência e que através dela se torne um ser mais consciente, participativo e crítico na sociedade em que vive.

 

3. Considerações Finais

Devemos ter sempre em mente que cada criança pode estar em um nível diferente em relação as suas aprendizagens e seu próprio desenvolvimento. Se por um lado, isso pode dificultar o trabalho do professor, que precisa prever meios diferenciados, de acordo com as características de seus alunos, por outro, a interação pode promover, de forma mais significativa, no momento de desequilíbrio cognitivo. A interação, entendida como o trabalho entre pares, numa relação mais horizontal, pode provocar questionamentos tão eficientes quanto os efeitos pelo professor. Se duas crianças produzem junto um texto, mas cada uma encontra-se em um nível diferente em relação às hipóteses de como se da a escrita, elas se darão conta de que estão pensando e escrevendo de formas diferentes. Uma questionará a outra, fazendo com que comparem suas hipóteses. Provavelmente, após esse momento de desequilíbrio, a reflexão levará a um novo equilíbrio, com o surgimento de uma nova hipótese.

A escola e principalmente os professores precisam entender que ler e escrever são tarefas da escola, questões de todas as áreas. Ensinar é dar condições ao aluno para que ele se aproprie do conhecimento historicamente construído e se insira nessa construção de ser produtor de conhecimento.

 

4. REFERÊNCIAS

APOLINÀRIO, Maria Raquel. Projeto Pitangua. São Paulo: Moderna, 2005.

AOKI,Virginia.  Projeto Pitangua. São Paulo: Moderna, 2005.

GUELI Oscar.  Quero Aprender. São Paulo: Ática, 1995.

LEFFA, Vilson Jose. Fatores da Compreensão na Leitura. Porto Alegre: Cadernos do IL, 1996.

MATO GROSSO. Projeto de Avaliação e Acompanhamento da 1ª a 4ª série. Cuiabá/ SEDUC: Fundação Cesgranrio, 2006.

PASSO, Luciana; FONSECA, Abani; CHAVES, Marta. Alegria do Saber. São Paulo: Scipione, 2001.

VALADARES, Solange e ARAUJO Rogéria. Aprendizagem divertida. Rio de Janeiro: Fapi, 2001.
 

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