Evitar a Evasão Escolar: uma ação coletiva
Sáb, 21 de Maio de 2011 17:07

Cleidilene Nunes da Silva [1]

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Taize dos Santos [1]

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RESUMO: Este artigo tem por objetivo analisar e refletir sobre o porquê da evasão escolar nas unidades estaduais de ensino do município de São José dos Quatro Marcos – MT; verificar se a família desempenha um papel importante para conter esse problema, identificar a maneira com que o educador lida com a evasão; conheceras medidas governamentais para evitar a evasão escolar. A metodologia de coleta de dados é a qualitativa, por intermédio de observação e aplicação de questionários aos educadores das escolas selecionadas. Para compreender essa problemática, buscamos dialogar com  autores como Arroyo (2000), Oliveira (2005), Petronzelli (2006), Rocha (1999), Zaballa (1998), dentre outros, os quais nos  possibilitam uma melhor visão sobre a evasão escolar.

PALAVRAS-CHAVE: Evasão. Família. Educador.

I. Introdução

A evasão escolar está dentre os temas mais debatidos no contexto escolar e, requer medidas serias para amenizar essa problemática, questão presente nas políticas públicas e na ação dos educadores. Nesse sentido, objetiva-se analisar e refletir sobre o porquê da evasão escolar nas unidades estaduais de ensino do município de São José dos Quatro Marcos – MT. Assim, objetiva-se verificar se a família desempenha um papel importante para conter esse problema, identificar a maneira com que o educador lida com a evasão; conheceras medidas governamentais para evitar a evasão escolar.

A metodologia de coleta de dados é a qualitativa, por intermédio de observação e aplicação de questionários aos educadores das unidades escolares de ensino selecionadas, com algumas perguntas aplicadas aos professores de diferentes escolas, com os quais indagamos sobre a diferença entre as famílias de alunos de 10 anos atrás e as da atualidade.

Para melhor compreender a evasão escolar buscamos fundamentação teórica em Arroyo (2000), Oliveira (2005), Petronzelli (2006),  Rocha (1999), Zaballa (1998), dentre outros, os quais  nos possibilitam uma melhor visão sobre a evasão escolar.

 

II. O papel da família e do educador para a evasão

No decorrer da pesquisa, alguns professores relataram que, anteriormente os pais eram mais presentes na vida dos seus filhos, em contrapartida, os educadores também procuravam de uma forma ou de outra se esforçar mais para agradar as famílias, uns por medo, por causa do regime severo, outros pelo motivo de que iriam ter elogios, mas com o passar do tempo isso foi mudando, a estrutura familiar alterou-se e as mulheres viram a necessidade de trabalhar para sustentar os filhos, sem a ajuda e o apoio dos pais. "Em face disto, as discussões acerca da evasão escolar, em parte, têm tomado como ponto central de debate o papel tanto da família quanto o da escola em relação à vida escolar da criança" (QUEIROZ, 2010, p. 05).

Na concepção dos pais de alunos, talvez por acharem que os profissionais da educação são bem remunerados deixaram a responsabilidade de educar para a escola, além do ensinar seus filhos. Nesse caso, o professor assume o papel de educador e de responsável pela manutenção do aluno na escola. Há neste caso, uma responsabilização dos professores em detrimento do papel dos pais e do poder público. Conforme assevera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação-LDB, Art. 2º. (1997, p. 2):

 

A educação é dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

O fracasso escolar, portanto, pode ser percebido de diferentes maneiras: sob a perspectiva das políticas educacionais, tal fenômeno tem sido relacionado aos altos índices de reprovação e evasão nas escolas de ensino fundamental em todo o Brasil. Referente à prática pedagógica e aos projetos político-pedagógicos das secretarias de educação e das escolas, o fracasso escolar tem sido justificado, através das práticas avaliativas existentes nas escolas que avigoram as diferenças entre as classes sociais, privilegiando aquelas que têm sua cultura identificada com os currículos escolares.

Outras razões atribuídas ao fracasso escolar giram em torno das políticas educacionais, mais especificamente àquelas que tratam dos problemas relativos à reprovação, evasão, distorção idade/ano escolar adequado e práticas de avaliação.

Segundo as respostas dos professores questionados, existem outros fatores que contribuem para a evasão como a falta de acompanhamento dos pais que geralmente se desculpam dizendo que precisam se ausentar para trabalhar durante o dia todo e, em virtude disto, não têm tempo para acompanhar seus filhos, não somente no que diz respeito às atividades escolares, mas também, no que diz respeito às amizades dos filhos que nem sabem onde ficam depois das aulas.

Compreendemos que os professores colocam o lado deles, mas provavelmente, os pais também acusariam a escola, caso eles fossem os questionados. Mas, afinal de quem é a culpa da evasão escolar? Para Perrenoud (2000, p.10) “[...] as sociedades desenvolvidas confrontam-se com desafios demais para que as classes dirigentes queiram criar o fracasso escolar apenas com a finalidade de garantir a transmissão de seus privilégios e a reprodução das hierarquias sociais.”

Este fenômeno chamado fracasso escolar propõe incorporar uma análise que não renuncie a maneira com que é produzido o fracasso dentro das escolas. Tendo a escola, como sua principal função socializar o conhecimento, cabe a ela a formação dos indivíduos para totalizar a vida social, bem como, proporcionar as condições de acesso para que, como cidadãos conscientes e ativos, tornem-se autores da história.

É importante ressaltar que, a evasão escolar é um fato que vem acontecendo em nossa sociedade, que poderá ocasionar problemas futuros em nosso país, como afirma Rocha (2000, p.41 ) “a educação deixou de ser um tema exclusivo dos trabalhadores da área para ser uma questão de interesse de toda a sociedade”.

A evasão escolar, ainda, é uma das situações críticas que afligem muitas unidades escolares e esta por sua vez, ocasiona várias conseqüências na vida das pessoas, como: marginalização, baixo auto-estima, distorção idade/ano escolar, repetência, desemprego, desigualdade social, entre outros fatores que afloram a sociedade.  É necessário pensar que, uma vez evadidos da escola, para onde vão esses alunos, quem são e quais são os papéis dos autores integrantes desse processo educacional?

De acordo com a pesquisa feita na unidade escolar de São José dos Quatro Marcos-MT, são várias as causas da evasão escolar, no entanto, levando-se em consideração os fatores que determinam este episódio, podemos destacar: professores com pouca experiência de ensino, que consequentemente não compreendem a necessidade dos alunos; alunos desinteressados ou indisciplinados; pais ou responsáveis que não tem tempo para acompanhar o desenvolvimento de seus filhos na escola.

A evasão escolar pode se dar em razão da somatória de vários fatores e não necessariamente de um problema especifico. O importante é detectar e diagnosticar o problema da evasão para buscar as possíveis soluções, com o intuito de proporcionar o retorno efetivo do aluno à escola.

Segundo o artigo 24 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996, referente à carga horária mínima anual, para a educação básica, no nível fundamental e médio, será de oitocentas horas, distribuídas por no mínimo duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver. Esta Lei nº 9.394 estabelece ainda exigência da frequência mínima de setenta e cinco por cento (75%) do total de horas letivas para aprovação.

Assim, para evitar a ocorrência da evasão escolar ou infrequência do aluno deve ser realizada quando se constata a ausência, pois esta pode comprometer o ano letivo, ou seja, a intervenção tem que ser preventiva e essa intervenção feita com sucesso.

Foi feito um questionamento com professores da educação básica no município de São José dos Quatro Marcos-MT, cujas indagações mencionadas a eles foram: No âmbito educacional qual a sua visão sobre a evasão escolar? Quais critérios levam a essa ocorrência? Assim, apresentamos algumas respostas obtidas:

A evasão escolar é um problema enfrentado tanto na comunidade escolar, quanto na sociedade em si, pois a cada dia que passa, estamos vivenciando esse transtorno, os alunos já vem de suas casas desmotivados, os problemas familiares afetam de modo crucial esses adolescentes, pais que não ligam para o que seus filhos fazem ou deixam de fazer, somente acompanham seus filhos na fase inicial dos estudos, quando estes alunos atingem uma certa idade, pais esquecem que seus filhos estudam e principalmente que são responsáveis pelo mesmo, passando então a responsabilidade para o professor, onde este tem que educar, lapidar seus conhecimentos, ser  psicólogo dos mesmos,  pois todos os alunos tem problemas, daí o educador passa a ter problemas na sala de aula porque tem que compreender a todos e tentar de modo delicado solucionar esses problemas, para não afetar o psicológico desse aluno. A falta de acompanhamento familiar, as leis aplicadas na educação pelos governantes que querem quantidade de aprovação e não qualidade de ensino, etc., contribuem para que a evasão escolar se propaguem cada vez mais na nossa unidade escolar, e no nosso país  (PROFESSOR 1).

Há alguns anos atrás, os índices de evasão escolar eram altos, pois o aluno ficava retido na mesma série, as vezes desnecessariamente, sendo taxado e o mesmo desistia. Atualmente, com a nova proposta da educação, estes índices diminuíram, pelo fato dos alunos terem mais oportunidades de demonstrarem seus conhecimentos sem receio, pois eles sendo avaliados em todos os seus atos e não somente através de provas, colaboram para o seu desenvolvimento (PROFESSOR 2).

A escola então, para exercer a sua função social, não pode ser só mera transmissora de conhecimentos historicamente acumulados pela humanidade, crê mais do que o acúmulo de conhecimentos, sua tarefa transcende o desenvolvimento cognitivo, a estruturação do pensamento lógico, o repasse de conhecimentos científicos. De acordo com Petronzelli (2006, p. 7), o propósito do professor se estende ao ato de "mostrar ao aluno a necessidade essencial de devassar sucessivamente os “ídolos” que cercam os conhecimentos tão acessíveis, hoje, enfatizados dentro do que se costuma chamar de sociedade do conhecimento”. Geralmente, a tarefa é a de transmitir conhecimento, pois apenas facilita o caráter ideológico de um sistema de relações e forças simbólicas.

Existe atualmente, uma crescente consciência de que o fracasso escolar não está associado somente às formas de avaliação utilizadas pela escola, porém é necessário avançar com relação às crenças e aos mitos que aparecem no ideário de muitos professores, sem desconhecer o peso da fragilidade material.

Tendo em vista o papel do educador, é necessário introduzir metas para uma redefinição de valores avaliativos, acompanhando esse processo, coletando dados, informações sobre o aluno e registrando suas necessidades e possibilidades, decorrentes do processo de aprendizagem. Nessa perspectiva, o processo de ensino e de aprendizagem, ligado a sua posterior avaliação, presume um desafio para o docente, que deverá por em prática a investigação, conhecendo assim as dificuldades de cada aluno para realizar a sua ação pedagógica de forma que ocorra em nível individual e grupal.  Diante disso, Zaballa (1998, p. 210) diz que:

Dificilmente podemos conceber a avaliação como formativa se não nos desfizermos de algumas maneiras de fazer que impeçam mudar as relações entre alunos e professor. Conseguir um clima de respeito mútuo, de colaboração, de compromisso com um objetivo comum e condição indispensável para que a atuação docente possa se adequar as necessidades de uma formação que leve em conta as possibilidades reais de cada aluno, um clima de cooperação e cumplicidade, como a melhor maneira de que dispomos para realizar uma avaliação que pretende ser formativa.

Desta maneira, exige-se do professor uma percepção e sensibilidade para a constituição de um espaço de solidariedade, respeito e reciprocidade, para que seja possível pensar em uma nova avaliação, propiciando mudança na prática docente. Uma maneira que tem sido utilizada com frequência nas escolas são os projetos didáticos, que atuam como um recurso para que os auxiliem em seu desenvolvimento, trabalhando as suas emoções, linguagens, imaginação e um conhecimento lógico para o progresso dos mesmos. Nesse sentido, "os projetos didáticos organizam-se segundo temas sobre os quais as crianças vão tecer rede de significações. São propostos como estratégias de ensino que buscam superar uma visão de estabilidade do ambiente em que crianças estão inseridas, o qual apenas precisaria ser conhecido" (OLIVEIRA, 2005, p. 22).

Diante disso, há necessidade de ousar mais, rumo a uma educação crítica, transformadora e democrática de que Paulo Freire (2002) sempre defendeu. É preciso elevar as formas de ensinar e de aprender para que o aluno participe como sujeito ativo e consciente do processo de ensino e aprendizagem. Entretanto, desde o anúncio do grave problema da reprovação em nossas escolas públicas, têm se estabelecido políticas públicas de educação com a finalidade de reverter tal problema.

A compreensão do que seja o ensino organizado em ciclos não está desvinculada da percepção de conhecimento e da compreensão do papel social da escola. No Brasil, a concepção de ciclo presente nas diferentes propostas implementadas, está diretamente relacionada com a trajetória das diversas tentativas de reversão do fracasso escolar ao longo do tempo.

A concepção de uma escola em ciclos no Brasil incorpora contribuições de autores como Perrenoud e Coll. Entretanto, a concepção de conhecimento e de papel social da escola presentes nas formulações desses autores, nem sempre avançam na mesma direção que as propostas essencialmente brasileiras. Podemos dizer que a tentativa de reversão do fracasso escolar torna a experiência brasileira única, no sentido da conceituação dos ciclos e da escola com uma outra forma de organização. Como nos diz Arroyo (2000, p.17), que:

Falar em cultura escolar é mais do que reconhecer que os alunos e profissionais da escola carregam para esta suas crenças, seus valores, suas expectativas e seus comportamentos [é reconhecer que há uma] cultura materializada [na escola que] termina por se impor à cultura individual [e que] interage conflitivamente e leva à construção de significados e crenças sobre o fracasso e o sucesso, tanto nos professores quanto nos alunos. Não apenas alunos, professores, técnicos e gestores justificam e legitimam suas crenças e condutas nessa cultura escolar; também a pedagogia, a didática e as ciências auxiliares legitimam suas concepções elitistas, seletivas e excludentes dessa pesada cultura.

Analisando o desenvolvimento reflexivo pelo qual vêm passando as ideias pedagógicas ao longo da história, compreende-se claramente que a função social da escola sofre influência da ideologia dos grupos hegemônicos, e que as denúncias das diversas teorias possibilitam reflexões sobre as consequências e as causas do fracasso escolar.

Portanto, o ambiente escolar exige a formação de um cidadão capaz de dialogar, de forma consciente e ampla, pois na atualidade esse modelo de formação necessita superar as lacunas para que constitua num espaço, no qual as fontes de informação se transformem em conhecimento, garantindo assim o compromisso de atender as necessidades de alunos na sociedade, colaborando assim para amenizar problemas que podem ser contidos ainda mais.

 

III. Considerações Finais

 

Concluímos que, o problema da evasão escolar, vem sendo enfrentado de forma articulada com o desenvolvimento de projetos escolares, com vista à redução e ao fortalecimento da comunidade escolar para erradicar a evasão e a repetência do ensino público, tentando dessa forma garantir a formação intelectual do cidadão, para a sua inserção na sociedade, de modo que contribua para uma sociedade mais igualitária.

Notamos que, o fracasso escolar tem sido tratado, no âmbito das experiências de combate, por iniciativas que têm no seu bojo o sistema de ciclos e que abrigam diversas possibilidades de promoção dos alunos, comprovando a hipótese de que a avaliação pode não ser a única responsável, mas torna-se a grande “vilã” no contexto da compreensão do fracasso escolar.

Do ponto de vista das políticas educacionais, o sistema seriado combinado às sucessivas reprovações propiciaram a evasão escolar e a distorção idade/série, aspectos que implicam o sistema educativo como um todo, seja do ponto de vista pedagógico, social e econômico, e que sempre foram combatidos através de políticas de promoção automática.

O caso de que a seriação e a reprovação não podem sozinhas, serem tomadas como a causa do fracasso escolar e, em contrapartida, o ciclo e a promoção serem adotados como a grande solução para esse problema – como muitas políticas educacionais sustentam. A escola deve, em seu conjunto, ser analisada e talvez assim, diante de mudanças estruturais possamos abordar o que entendemos por fracasso escolar, não só altas taxas de evasão e repetência, mas a falta de cumprimento dessa instituição com a sua função social.

Para que possamos amenizar este processo, é necessário o comprometimento da Escola, família, comunidade, e do Poder Público, cujo papel se torne abrangente nas relações que de fato viabilizem para a expansão dessa meta na educação.

 

IV. Referências Bibliográficas

 

ARROYO, M. Fracasso-Sucesso: o peso da cultura escolar e do ordenamento da educação básica. In: ABRAMOWICS, A. E Moll, J. (orgs.) Para Além do Fracasso Escolar. Campinas, Ed. Papirus, 2000, 3ª edição, pp.11-26.

CATANI, Maria N. A. (org). Escritos de Educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1988.

OLIVEIRA, Zilma Ramos de Educação Infantil: fundamentos e métodos. 2. Ed. São Paulo; Cortez, 2005.

PERRENOUD, P. Pedagogia Diferenciada – das intenções à ação. Porto Alegre, Ed. Artmed, 2000.

PETRONZELLI, Carlos. Proposta Curricular? Ou diretriz curricular? – Reflexões sobre possíveis paradoxos da Educação.. Curitiba: Pós-Moderna, 2006.

ROCHA, Simone Mariano. FICAI – Um instrumento de rede de atenção pela inclusão escolar. In: BRANCHER, Leoberto Narciso (organizador). O direito é aprender. Brasília: Fundescola/Projeto Nordeste. 1999.

ZABALLA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.



[1] Acadêmicas de Pedagogia, da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT/Cáceres-MT.

 

 

 

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