MATEMÁTICA: a criança e os números
Ter, 05 de Julho de 2011 13:34

Adilson Silva do Amaral[1]

RESUMO: A educação básica na criança é um fator importante no grau de capacidade de raciocínio, visto que, o mundo ao redor desperta a curiosidade que contribui na influência no desenvolvimento intelectual da criança. Atividades educativas são importantes, pois despertam o interesse da criança quanto a educação básica.  A principal tarefa dos professores é o de incentivar o pensamento espontâneo das crianças, ensiná-las a contar, a ler e a escrever. Porém a estrutura lógico-matemática é construída pela própria criança, na prática das atividades que as possibilitam a aprendizagem. Com base na leitura de diversos materiais relacionados ao assunto, foi possível entender esse universo da educação básica da matemática na infância.

PALAVRAS-CHAVE: Criança. Educação. Matemática.

 

1. Introdução

A educação infantil é aquela realizada antes da criança entra no ensino obrigatório. Esse tipo de educação é feita para estimular e exercita a capacidade motora e cognitiva, fazendo descobertas e iniciando a alfabetização da criança.

As crianças têm grande capacidade me memorizar, visto que quando a ação realizada seja de interesse do individuo, pois quanto mais lhe chamar atenção, mais a criança vai sentir necessidade/curiosidade de descobrir o que lhe rodeia. Tudo que uma criança faz é reflexo do que foi visto feito por um adulto.

A forma de alfabetização é um fator de suma importância, pois é na fase inicial que a criança desperta vontade ou não de aprender. Além do mais, o convivo em ambiente harmonioso também interfere no processo de aprendizagem. Segundo Piaget (1977), o conhecimento se constrói na interação do sujeito com o objeto. Estruturas não estão pré-formadas dentro do sujeito, mas são construídas no processo de desenvolvimento humano. Há no ser vivo elementos variáveis e invariáveis que lhe possibilitam uma construção ininterrupta de estruturas variadas

 

2. O Mundo das crianças e o ensino de Matemática

Desde o nascimento, as crianças são submetidas aos números, noções de quantidade e espaço. Entender o “mundo” das crianças é um desafio aos professores, pois a cada dia se “descobre” um jeito diferente de contar ou de brincar com recursos diversos, é sempre uma diversão as novas descobertas no mundo infantil. Tudo começa quando se aprende a mostrar a idade com os dedos, dividir doces com os amigos, a noção de espaço por onde se anda.

As crianças pensam diferente dos adultos, sendo assim, é preciso se adequar as condições e aos ambientes disponíveis para que o entendimento infantil seja satisfatório aos olhos do educador no momento. Além do mais, cada criança pensa diferente da outra, por isso torna-se necessário trabalhar de forma especifica com cada criança, não se esquecendo de trabalhar com o que há disponível no local (PIAGET, 1977).

Torna-se importante lembrar que, o pensamento evolui, passando por estágios, sendo que em cada estágio, a criança tem uma maneira especial de entender e explicar as coisas do mundo. Devido a difícil tarefa de se explorar o mundo a sua volta, baseando na matemática, é necessário criar um mundo artificial para facilitar a exploração realizada pela criança. Esse mundo é criado através de materiais concretos, os quais as crianças podem manipulá-los, montá-los, etc.

A inteligência é um sistema de operações; todas as matemáticas são sistemas de operações. A operação não é outra coisa senão uma ação; é uma ação real, mas interiorizada e tornada reversível. Para que a criança chegue a combinar as operações, quer se trate de operações numéricas, quer de operações espaciais, é necessário que ela tenha manipulado, que tenha agido que tenha experimentado [...]. Estas ações se interiorizam e, ao se interiorizarem, coordenam-se e tornam-se reversíveis, transformando-se assim em operações (PIAGET, 1977, p. 22).

Um fator importante é o meio social onde esta criança vive, pois este pode ser fundamental no processo de aprendizagem. Pois a convivência dentro e casa pode interferir no processo de aprendizagem. O incentivo às crianças é de suma importância no mundo atual, visto que, a cada dia tudo se renova, todos os métodos de ensino são melhorados.

Observando a necessidade de obter resultados concretos no ensino da matemática, Jean Piaget desenvolveu trabalhos com crianças a fim de buscar entender o universo infantil, e até mesmo buscar uma forma que facilite os métodos de ensino.

Graças aos diversos estudos sobre a educação infantil x matemática, podemos dizer com convicção que as crianças desenvolvem maneiras e conceitos próprios sobre os números.  Para a pesquisadora piagetiana Constance Kamii (1984, p.19), “o número é uma síntese de dois tipos de relação que a criança elabora entre os objetos. Uma é a ordem e a outra é a inclusão hierárquica”.

 

3. Algumas constatações de problemas no ensino

Para Piaget as crianças tem a tarefa de aprender a distinguir quantidade de forma, as vezes, as mesmas quantidades de objetos com dois tamanhos diferentes podem gerar um problema, pois a relação de tamanho pode confundir quando for perguntado sobre a quantidade, pelo raciocínio de algumas crianças, o lado que estão os maiores objetos, é o lado que tem mais, e na maioria das vezes isso não é verdade.

Outra observação, também feita por Piaget, foi à dimensão de espaço ocupada por cada objeto, mesmo quando os dois grupos de objetos são do mesmo tamanho, porém colocados em distancias diferentes, mas dentro de cada grupo. Quando a criança olha a forma de distribuição, logo dirá que a linha mais longa é a que tem mais. Logo, estes exercícios são feitos com crianças que estão no processo de alfabetização matemática, pois se formos trabalhar com crianças com um estágio de alfabetização maior, logo esta saberá as respostas certas para cada pergunta.

 

4. Material e Método

A Teoria Cognitiva, impulsionada por Piaget, onde ele propõe a existência de 4 fases de desenvolvimento cognitivo, são:

1.    Sensório-motor: está fase aproximadamente ocorre com crianças de dois anos de idade, quando exploram os ambientes que lhes rodeiam, usando as mãos, observação as tuas limitações, localização dos objetos, etc;

2.    Pré-operacional: está fase vai dos dois anos aos 7, é a fase de alfabetização da criança, quando poderá observar todas as facilidades que a criança tem em aprender ou não, a onde poderá explorar os objetos para a aprendizagem, etc;

3.    Operatório concreto: fase que vai dos sete aos 11 anos, onde a criança terá capacidade de trabalhar com situações reais, capazes distinguir tamanhos, forma, quantidades, etc;

4.    Operatório formal: fase que se inicia aos 12 anos, quando o individuo desenvolve a capacidade de raciocínio proposital, sem auxilio dos objetos concretos, é quando o adolescente distingue certo de errado, etc.

A contribuição de Piaget possibilita aos educadores desenvolverem atividades com crianças de varias idades, variando entre 2 a 12 anos, aplicando-se esquemas que variavam entre formas, tamanhos, quantidades. O estudo aprofundado do ensino básico na matemática na infância, se deu por necessidade de ampliar o conhecimento sobre o assunto, levando em consideração o desenvolvimento educacional da criança.

O método trabalhado pelo educador é determinante do resultado do aprendizado. Não esquecendo que, a família tem influencia direta no processo de alfabetização, mesmo sem uma ajuda profissional, algumas pessoas contam com a ajuda do tempo ou da vida para desenvolver o raciocínio lógico matemático. No entanto, existem muitas pessoas que não contaram com o auxilio profissional, mas o dia a dia fez questão de ensinar-lhes a matemática básica para a sobrevivência.

Torna-se necessário no mundo atual e nas condições em que vivemos que as crianças cresçam com foco no estudo, não somente na matemática mas em todas as áreas disponíveis, pois a cada geração o nível de formação aumenta, porém o nível de raciocínio é limitante, “viciante”.

 

5. Considerações Finais

A pesquisa realizada apresenta informações que facilitam o entendimento, quanto a criança e o número de acordo com o tipo de ensino recebido. A idade é um fator determinante quanto a alfabetização e o método no qual esta será aplicada. As crianças com idade menor devem receber mais atenção, pois é nesta fase que se prepara o cérebro, para que adquira habilidade de raciocínio lógico.

É notável que a cada ano as crianças vão aprendendo mais, cada fase é facilmente distinguida, porém há crianças que tem facilidades em aprender, e isto certamente influencia no grau de aprendizagem. No entanto, é importante a qualificação do educador, pois cada passo adiante é de grande importância quanto a formação matemática.

Ter facilidade ou não na área da matemática é um problema na adolescência, pois certamente, nesta fase de aprender com formas concretas, talvez não tenha sido aplicada de forma fácil, o que resultará em dificuldades com a disciplina na fase adulta.

O ambiente em que a criança vive poderá influenciá-la futuramente no desenvolvimento cognitivo, pois além de uma boa base educacional, a criança precisa de atenção e paciência, como já foi citado o nível de conhecimento tende a aumentar com o passar dos anos, porem o ambiente ao redor pode interferir neste processo.

6. Referências Bibliográficas

DROUET, Ruth Caribe da Rocha. Aprendizagem: conceitos básicos. In Distúrbio da aprendizagem. 4º ed. São Paulo – SP: Ática, 2002.

JOSË, E. A; COELHO, M. T. Problemas de aprendizagem. 12 ed. São Paulo. Ática, 2002.

KAMII, Constance. A criança e o número. Campinas. 35º Ed. Papirus, 1990.

PIAGET, J. O julgamento moral da criança. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1977.

SMOLE, Kátia Cristina Stocco. A matemática na educação infantil. Porto Alegre, Artes Médicas, 1996.

YAEGASHI, S. F. R. Aprendizagem de possíveis e inclusão de classes. Campinas: Faculdade de Educação/ UNICAMP, 1992 (Dissertação de Mestrado em Psicologia Educacional).

 


[1] Acadêmico do Curso de Licenciatura Plena em Matemática, da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT - Campus de Cáceres/UNEMAT. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

 

 

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