O OLHAR DOS ALUNOS SOBRE QUESTÕES AMBIENTAIS
Qui, 16 de Agosto de 2012 20:15

O OLHAR DOS ALUNOS SOBRE QUESTÕES AMBIENTAIS

 

Autora: Thais Amanda Mota dos Santos¹

Orientadora: Romilda Rosane Shirmann²

Co-orientadora: Marilucy Silva³

RESUMO

O presente artigo refere-se a uma Palestra de Educação Ambiental voltada aos adolescentes da 7° série (8°ano) da Escola Estadual Gabriel Pinto de Arruda no bairro Jardim Padre Paulo da cidade de Cáceres-MT, para o exercícios inovador dos conceitos de preservação do meio ambiente, considerando a evolução nos modos de vida da população e suas interferências no meio, trabalhando a reflexão e a percepção dos alunos, atribuindo a eles um conhecimento abrangente sobre o ambiente em que vivemos. Considerando que se o espaço em que se vive for explorado de forma incorreta necessita de recoperação. Sendo assim, é necessário formar pessoas capazes de compreender o mundo e agir nele de forma critica e responsável, a solucionar os problemas ambientais presentes, para que haja recursos naturais a nossa e as futuras gerações. A metodologia adotada foi a pesquisa participativa, que tem ponto de origem na perspectiva da realidade social do cotidiano de cada pessoa, com suas experiências. Partindo assim do conhecimento popular, abordando e esclarecendo conceitos a fim de originar uma nova sensibilidade ambiental.

PALAVRAS-CHAVE: Percepção. Sensibilizar. Preservar.

 

1. INTRODUÇÃO

A Educação Ambiental é importante mediadora entre a esfera educacional e o campo ambiental e, através dela produzimos reflexões, concepções, experiências que visam construir novas bases de conhecimento de preservação e conservação ambiental. Essas preocupações fazem se necessarias na sociedade contemporânea onde cada vez mais se retira recursos naturais para o sustento do mundo capitalista.

Portanto, neste contexto, sobressaem-se as escolas, como espaços privilegiados na implementação de atividades que propiciem essa reflexão, pois isso necessita de atividades de sala de aula e atividades de campo, com ações orientadas em projetos e processos de participação que levem à autoconfiança, à atitudes positivas e ao comprometimento pessoal com a proteção ambiental implementados de modo interdisciplinar.

Dessa forma, o processo de sensibilização da comunidade escolar pode fomentar iniciativas que transcendam a sociedade, atingindo tanto o bairro no qual a escola está inserida como comunidades mais afastadas nas quais residam alunos, professores e funcionários. Pois estes se tornam potenciais multiplicadores de informações e atividades relacionadas à preservação ambiental.

Assim, o intuito de palestrar sobre Educação Ambiental na escola é desenvolver e sensibilizar a participação efetiva na troca de conhecimentos. Conscientizando os alunos na educação ambiental dentro o art. 6º da Lei nº. 9.795/99 (Lei que estabeleceu a Política Nacional de Educação Ambiental) como os processos pelos qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade, sendo ainda um componente essencial e permanente da educação nacional que deve estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades de processo educativo, em caráter formal e não formal.

Durante a palestra sobre Educação Ambiental voltada aos adolescentes da 7° série (8°ano) da Escola Estadual Gabriel Pinto de Arruda no bairro Jardim Padre Paulo da cidade de Cáceres-MT, os alunos puderam compreender que muitas de suas ações estavam sendo prejudiciais ao Meio Ambiente e perceberam que se reduzir e evitar o excesso de consumo e de desperdício, de forma em que todos passam usufruir dos recursos naturais sustentavelmente para que não prejudique nenhum ser vivo.

Durante a palestra surgiram questionamentos sobre, poluições, enchentes, lixo, resíduos nucleares, contaminação da água, aquecimento global, interferência do ser humano no meio ambiente e o que eles podem fazer para reverter o quadro de grandes catástrofes que vem ocorrendo com frequência.

Considerando a importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo, no tempo e no espaço, a palestra ofereceu meios para que cada aluno compreende-se os fenômenos naturais, as interferências humanas e suas consequências ao meio ambiente. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos, colaborando para a construção de uma sociedade justa, em um ambiente saudável.

 

2.MEIO AMBIENTE

O Brasil, desde 1981, possui a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, dispondo de toda a dimensão ambiental, essa se tornou ainda mais fortalecida na Constituição federal de 1988. Em 1992 o Brasil sediou a eco 92 do Rio (Rio-92), essa conferencia serviu de base para o instrumento de construção do desenvolvimento sustentável, para conter a degradação ambiental e permitir a continuidade da vida no planeta. Um dos mais significativos eventos diplomático do final do século XX.

Nos últimos anos, o país passou por um intenso processo de regulamentação e de institucionalização para o controle das atividades degradadoras, e de tentativa de internalização da proposta do desenvolvimento sustentável nos setores públicos e privados e no cotidiano dos cidadãos. Diante disso, a preocupação ambiental se tornaram algo importante, que se deve trabalhar a mudança de paradigmas da sociedade em relação à visão do homem e o ambiente que nos cerca. A evolução de alguns conceitos também foi fundamental para que a preocupação ambiental se tornasse relevante.

O principio do desenvolvimento sustentável de acordo com o art. 225 da CF, afirma que os recursos ambientais são esgotáveis, tornando-se inadmissível que as atividades econômicas desenvolvam-se alheias a esse fato. Busca-se com isso a coexistência harmônica entre Economia e Meio Ambiente. Permitindo o desenvolvimento, mas de forma sustentável, planejada, para que os recursos hoje existentes não se esgotem ou tornem-se inócuos.

De acordo com Mendonça (2002),

 

na evolução do conceito de Meio Ambiente, observa-se o envolvimento crescente das atividades humanas interferindo na natureza de modo prejudicial, sobretudo nas quatro últimas décadas, o ambiente vem sofrendo com diversas catástrofes ambientais devido à interferência antrópica, portanto vem sendo trabalhada no mundo inteiro uma nova concepção naturalista... (MENDONÇA, 2002).

 

Percebe-se que o desenvolvimento sustentável dispõe de manifestações e planejamentos para que o desenvolvimento das cidades, não prejudique a harmonização dos seres vivos, formando assim um ambiente socioeconômico e conservado de forma em que haja um equilíbrio ecológico entre ambas partes para os presentes e futuras gerações.

Hoje, diante da dimensão e complexidade que assumiram os problemas sócios ambientais, a questão urbana é percebida, cada vez mais, na sua estreita relação com a natureza e não na sua dissociação. Isto nos leva a repensar, replanejar e executar políticas públicas, no modo de produzir e reproduzir o espaço urbano, vendo a cidade como um local de constante mutações. As transformações ambientais provocadas pelo homem são rápidas, contínuas e degradantes, que dificilmente permite uma recuperação adequada do meio natural.

Um dos papéis da escola é o planejamento escolar, que deve buscar sensibilizar os alunos aos problemas ambientais da sua localidade e dar ênfase aos que já estão estabelecidos no mundo. Considerando que o uso incorreto dos recursos naturais se reflete na ausência de condições sanitárias, ocupação de áreas irregulares, ocupação de áreas de risco ou de proteção ambiental, contaminação das nascentes, lençóis freáticos e rios.

3. EDUCAÇÃO AMBIENTAL

O estudo do meio ambiente no interior da escola, tem por finalidade auxiliar na formação e na qualificação dos alunos e professores, com base nos princípios e na metodologia que envolve a comunidade. Este auxílio na qualificação visa também a promover um maior conhecimento sobre novos processos de preservação e conservação ambiental, adequando às formas de regulamentação, bem como criar condições que facilitem a difusão da informação científica e principalmente nos problemas dos processos industriais criados pelo homem.

O processo de educação ambiental pode servir como gerador de desenvolvimento, empregos, conhecimento e maior expectativa de vida, deixando que o homem não se afastasse do mundo natural, mas que se integre a ele de forma sustentável, desenvolvendo o equilíbrio ambiental. Pois há de se considerar que com o tempo os recursos da terra, vão se esgotando, e os resíduos produzidos que levam milhões de anos para se compor na natureza vão aumentando.

É claro que toda atividade econômica, na maioria das vezes, representa alguma degradação ambiental, todavia, que se procura é minimizar-la. O correto é que as atividades sejam desenvolvidas lançando-se mão dos instrumentos existentes adequados para a menor degradação possível.

Portanto a prevenção e a preservação devem ser concretizadas por meio de uma sensibilização ecológica, a qual deve ser desenvolvida através de uma política de Educação Ambiental.

Para Jacobi apud Tamaio (2003), a Educação ambiental é “mais uma ferramenta de mediação necessária entre culturas, comportamentos diferenciados e interesses de grupos sociais para a construção das transformações desejadas”.

Jacobi (2003), coloca que o educador possui o papel de mediador, construindo referenciais ambientais, para o desenvolvimento de uma pratica social centrada no conceito da natureza.

Enquanto isso não se solidifica, infelizmente temos o uso de apenas instrumentos como: o estudo prévio de impacto ambiental, o manejo ecológico, o tombamento, as liminares, as sanções administrativas utilizadas. Além disso, a punição correta do poluidor pelo Estado, medidas como incentivos fiscais conferidos às atividades que atuem em parceria com o Meio Ambiente, e uma legislação severa que imponha multas e sanções mais pesadas. O que infelizmente não ajuda de forma eficaz na preservação ambiental.

4. A SENSIBILIZAÇÃO PARA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Diante do cenário de degradação ambiental, aliado com a desigualdade social que vivemos, precisa-se refletir e agir sobre o meio ambiente com a necessidade da busca de um novo modelo de desenvolvimento, sendo este de modo sustentável, para que o mundo utilize de maneira mais racional os recursos naturais.

Neste contexto a Educação Ambiental têm sido importante dentro da esfera educacional, onde se pode desenvolver atividades e projetos que exigem capacitação pra orientar, conscientizar e sensibilizar os alunos.

 

Assim a Educação Ambiental deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva holística de ação, que relaciona o homem, a natureza e o universo, tendo em conta que os recursos naturais se esgotam e que o principal responsável pela sua degradação é o homem (JACOBI, 2003).

Esse processo de sensibilização da comunidade educativa pode fomentar iniciativas que transcendam o ambiente escolar, atingindo tanto o bairro no qual a escola está inserida como comunidades mais afastadas nas quais residam alunos, professores e funcionários, pois através da educação ambiental a escola cria potenciais multiplicadores de informações e atividades relacionadas a preservação e conservação do meio ambiente.

 

A responsabilidade ambiental vem sendo reconhecida como um componente urgente, essencial e permanente do processo educativo, pois gera o desafio de eliminar a a poluição e o desperdício de toda e qualquer tipo, a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento de empreendimentos locais sustentáveis, a proteção do solo, ar, da água adotando posturas de respeito ao patrimônio natural (ALVES, 2009).

 

De acordo com Dias (1992), os participantes do Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para a Educação Ambiental e o Ministério da Educação e Secretaria do Meio Ambiente (MEC/SEMAM, 1991) sugeriram, entre outras propostas, que os trabalhos relacionados à Educação Ambiental na escola devem ter, como objetivos, a sensibilização e a conscientização; buscar uma mudança comportamental; formar um cidadão mais atuante; sensibilizar o professor que é o principal agente promotor da Educação Ambiental; criar condições para que, no ensino formal, a Educação Ambiental seja um processo contínuo e permanente, através de ações interdisciplinares globalizantes e da instrumentação dos professores; procurar a integração entre escola e comunidade, objetivando a proteção ambiental em harmonia com o desenvolvimento sustentado.

Dessa forma os alunos irão ter uma visão mais ampla e diferente do Meio Ambiente preocupando – se desde cedo com sua preservação. É necessário que o aluno entenda, que “um lixo jogado na sala de aula”, não é apenas um lixo, mas sim um fator de poluição e desperdício de recursos naturais. Dessa forma deve ocorrer a transformação nas atitudes dos alunos, sendo este um defensor dos conhecimentos de preservação ambiental.

 

5. O OLHAR DOS ALUNOS SOBRE O MEIO AMBIENTE

Foi desenvolvida uma palestra de Educação Ambiental na Escola Estadual Gabriel Pinto de Arruda, na cidade de Cáceres-MT, com alunos de 9º ano (8ª série) do ensino Fundamental. O foco da palestra foi as questões ambientais preocupantes como o desmatamento, queimadas, poluição, aquecimento global, produção de lixo e consumismo. Durante a palestra houve a participação dos alunos em diferentes questionamentos sobre o meio ambiente. Após esse momento houve uma interação entre os conhecimentos. Os alunos participaram verbalmente e outros fizeram seus questionamentos através da escrita. Os questionamentos dos alunos, estão descritos abaixo conforme o que estava escrito nos bilhetes recebidos.

“Por que quando a chuva vem, vem uma pancada tão forte, tem aver com que agente polui?”

2º “O lixo que agente usa em cáceres, determina o calor da cidade?”

3º “A fumaça do cigarro prejudica o meio ambiente?”

4º “As pilhas podem ser reaproveitadas?”

5º “Um exemplo, tipo se tem um celular no bouso e com a forma do sol está bem quente é capaz de explodir o celular no bouço?”

6º“ As boluiçoes dos rios pode causar alguma doença? ou seja morte.”

7º “Quando o céu fica laranjado tem haver com a poluição, que agente faz?”

8º “Se a água do rio tiver poluída, e tipo se agente comer um peixe daquele rio pode passar a contaminação pra gente?”

9º “O que agente pode fazer, para não ter mais impacto no meio ambiente?”.

Através dos questionamentos pode-se perceber que eles possuem certo conhecimento ambiental, mas as duvidas em cima desse conhecimento são muitas, logo eles trataram de sanar essas duvidas, participando até mesmo pela escrita de bilhetes, pois os mesmo não quiseram expor esse desconhecimento para os colegas.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação Ambiental tem a finalidade de transformar as atitudes do homem perante o Meio Ambiente, atribuindo lhe sentido, trazendo-a para o campo da compreensão e da experiência humana de estar no mundo e participar da vida. Dialogar os saberes, sensibilizar para a participação coletiva desenvolvendo ética e valores fundamentais em prol do Meio Ambiente.

Construindo assim uma nova visão de interação com o ambiente de modo geral e com a natureza em particular superando a perspectiva de exploração e consumista.

As ações aqui apresentadas fizeram com que muitos alunos se manifestassem espontaneamente, assim os adolescentes citaram a indignação com as pessoas responsáveis pela degradação do ambiente, jogando plásticos e papéis que observavam no local que residem ou no caminho da escola; outros lembraram da grande quantidade de água que é desperdiçada nas torneiras; alguns ainda levantaram sugestões para melhoria da qualidade de vida para a cidade de Cáceres-MT. Passaram também a reavaliar sua atuação no ambiente no seu dia-a-dia. Essas manifestações foram importantes para a concretização desse projeto que pretendia conhecer, interagir e contribuir para a conscientização ecológica.

Desta forma a escola deve ter como base o pensamento critico e inovador, em qualquer tempo, local ou lugar, em seu modo formal ou não formal promovendo a transformação e a construção da sociedade.

7. Referêncial Teórico

ALVES, Ricardo de Andrade. A questão do lixo: o exemplo começa na escola. Monografia de Pós-graduação Lato Sensu. Pólo Linhares- ES. 2009.

Disponível em: http://sigplanet.sytes.net/nova_plataforma/monografias../8615.pdf

Acesso em: junho de 2012.

 

Constituição Federal 1988.

 

DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo. Ed. Gaia. 9ª Edição - 2010

 

JACOBI, Pedro. Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, n. 118, p.189-205, março/ 2003.

Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/n118/16834.pdf.

Acesso em: junho de 2012.

Lei da politica Nacional de Educação Ambiental. Lei nº 9.795/99. Art. 6º.

Lei da Politica Nacional do Meio Ambiente 1981.

MENDONÇA, Francisco; KOZEL, Salete. Elementos de Epistemologia da Geografia Contemporânea (Orgs). Curitiba: Ed. da UFPR, 2002. 270p.

 

 

 

___________________

¹ Aluna concluinte do Curso Técnico em Meio Ambiente, da Escola Estadual “Onze de março”.

² Professora Licenciada em Ciências Biológicas, pela Universidade do Estado de Mato Grosso -UNEMAT.

³ Professora Pedagoga, Especialista em Educação Infantil pela Faculdade Integrada de Diamantino -FID.

 

 

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